21/07/2008

Nash equilibrium


Climate change is, as far as I know, the first chance mankind gets to work together for the common good.

It brings back images from George Wells’ ‘The War of the Worlds’ - humanity united for the first time, striking back at a common threat. This simple idea attracted me and seemed worth exploring.

The climate change problem is unprecedented. It affect us all in a way nothing did before. Besides the solutions to the problem, some kind of new platforms for international collaboration may be launched.

I was reading at Time magazine, about the Sino-Japan Friendship Center for Environmental Protection. The name says it all! What other reason could put China and Japan fraternally working together? If China and Japan can set aside their historical clash, for the common good…so it may other traditional archenemies. Global warming might be the very best thing that happened to mankind so far!

For the first time in history, mankind can leverage the beautiful metaphor of Nash equilibrium.

After the Kilimanjaro, I may challenge myself to find sponsors on both sides of a conflict area. Two countries might contribute equally to the same common cause.

I’m not trying to flash the pacifist flag in this post…just highlighting some facts…this is more of a vision…more like a dream, if you want.

19/06/2008

In a nutshell

O nosso cabeçalho diz:

Ice Care pretende mostrar ao mundo, em tempo real, os efeitos e consequências do aquecimento global.

Como prevemos atingir esses objectivos?

Se queremos ‘mostrar ao mundo’ temos que utilizar os media. Para isso vamos tornar-nos dignos de notícia. Além de atingirmos os glaciares de formas pouco convencionais (bicicleta, kayak, ou o que quer que seja que nos passe pela cabeça), vamos ainda convidar uma figura pública para nos acompanhar em cada uma das expedições.
Para o Kilimanjaro já assegurámos a cobertura televisiva por um canal de televisão nacional e estamos a negociar a realização de um programa noutro canal internacional. Também já falámos com uma ‘vedeta’ que se interessou em participar.
E a piada é que, naturalmente, ainda não podemos revelar o nome de nenhum dos 3!

Para conseguir o ‘tempo real’, vamos usar a internet. Criaremos um site onde o mundo poderá testemunhar a alteração dos 5 glaciares. Estes 5 locais são sintomáticos do problema a nível global. O Ice Care colocará simples instrumentos de medida dos glaciares, que tornam o fenómeno mais visível. Utilizaremos sempre referências muito simples, como desenhar o perímetro do glaciar, no dia da nossa chegada e comparar posteriores fotografias de satélite, com o perímetro inicial. Não queremos nada muito científico! Aí estaríamos a perder a comunicação com o nosso público alvo – o cidadão comum, como nós, que não se sente de forma nenhuma estimulado por gráficos.
Se os media quiserem dar uma ajuda e fazer um ponto de situação regular, será optimo!

Em alguns destes locais, as ‘consequências’ para a população já foram amplamente estudadas. No Kilimanjaro não. Sempre que esses estudos não existirem, serão realizados por nós. Uma equipa especializada que acompanha a expedição, estudará as consequências do desaparecimento dos glaciares, para a subsistência das populações locais.

18/06/2008

Buzzword



This week on Time magazine of a total 12 full page ads, 4 of them were about environmental responsibility. This must mean something!

Shell claims to have found, after 30 years of research, a clean fuel.
Arcelor Mittal states it is developing systems to recycle domestic garbage.
Total shows an iceberg above water mirroring a city, with the title: ‘common interests’.
Honda has a monochromatic engine, and says ‘environmentally responsible’.

I’d like very much to believe this is not only putting money where their conscience should be…

29/05/2008

On track




Since I started creating the Ice Care project, I’ve been researching about climate change.
I recently came across one of the most interesting PDFs so far. The document was created by United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization and World Heritage Convention, and it’s called ‘Case Studies on Climate Change and World Heritage’.



It highlights the effects of climate change in some world heritage locations, in 5 main areas:
. glaciers
. marine biodiversity
. terrestrial biodiversity
. archeologic locations
. historical cities

‘Glaciers’ was the first thing that caught my eye.
The document highlights 5 glaciers at risk:
. Kilimanjaro National Park (United Republic of Tanzania)
. Sagarmatha National Park (Nepal)
. Huascarán National Park (Peru)
. Ilulissat Icefjord (Denmark)
. Jungfrau-Aletsch-Bietschhorn (Switzerland)

Evidently, I was very happy to realize I’m on the right track!
The other 4 glaciers might very well be Ice Care’s next destinations!

20/05/2008

Geek na engrenagem

Hoje tomei o pequeno almoço com a Nicky (aka Ana Sutcliffe) a nossa geek de serviço, como ela se auto-intitula. A verdade é que, geek ou não, é ela que tem preparado a componente científica do Ice Care. É ela que lá vai descobrindo as soluções para cada nova maluqueira que me passa pela cabeça. Hoje atirei-lhe mais uma.

A ideia do poste estava a começar a fazer-me comichão. O projecto estava cada vez mais redondinho, mas o poste ainda era uma aresta por limar. Subir 5,895 metros com um poste às costas, convenhamos que não apetece. Além disso precisávamos de autorização do parque natural para perfurar o glaciar. Finalmente monitorar um poste, a cada 6 meses, à distância, não parecia tarefa fácil – teriamos que contratar guias de montanha para subir e tirar fotografias regulares.
Surgiu-me uma nova ideia que me parece muito mais lógica. Em vez de um poste, vamos estender uma faixa simbólica à volta de um dos glaciares (ou pelo menos de uma parte). Mais fácil de transportar e não precisa de autorização do parque, porque não destroi e não é permanente.
A faixa será retirada no regresso, mas o seu significado permanecerá, desenhado sobre uma imagem de satélite, formando o perímetro do glaciar.
Com este método muito simples, as pessoas em casa, poderão ter uma ideia muito mais clara, do retrocesso do glaciar, por comparação com o perímetro inicial.
Só temos que contratar um serviço de imagens de satélite...e aqui entra a imprescindível ajuda da Nicky e do seu dispendioso Masters Project focused on the use of Satellite images for climate studies, with special emphasis on studies of impacts of climate change, pela Universidade de Southampton.

O Zé Diogo, outra peça fundamental deste puzzle de competências, teria vindo também fazer companhia se não estivesse neste momento no Alasca a escalar o McKinley. De nós os 3, tenho que admitir que eu sou o mais dispensável! Eu sou uma espécie de energia criativa que subjas a tudo, que está na base de tudo, mas que não tem nenhuma função específica na engrenagem final.

15/05/2008

Compromisso ICE CARE


O último texto deste blog é de Janeiro. Não tenho actualizado o blog, não porque não tenha material, mas porque não tenho parado.
Por insólito que possa parecer, em Fevereiro e Março, visitei 11 cidades (Londres, Zurich, Geneve, Bern, Zagreb, Dubai, Atenas, Maputo, Madrid, Las Vegas e Nova York) em 4 continentes diferentes. Nas passagens por Portugal, sentia-me como uma baleia que vem à superficie respirar por breves instantes, para submergir de novo. A metafora não desculpa a falta de civismo ecológico das minhas horas de voo – isso é outro problema que tenho que resolver a breve prazo.

Apesar da vida de caixeiro-viajante que tenho levado, consegui ir mantendo alguns contactos, trocando opiniões, tendo ideias. Uma das ideias que tive, entre Londres e Zurich, foi a de criar uma lista de empresas que se comprometessem com o ambiente, assinando uma espécie de carta de intenções Ice Care. Neste documento as empresas deveriam comprometer-se a reduzir as suas emissões de carbono, durante os próximos anos. As reduções de todas as empresas associadas, poderiam em teoria, atrasar desaparecimento dos glaciares. Ainda que quase insignificante, alguns minutos na melhor das hipoteses, seria uma conquista, um estandarte, um pequeno embrião de mudança! A correlação dos dois factores não é linear, nem há uma relação de causalidade directa entre o comportamento de uma vintena de empresas portuguesas, com os glaciares do Kilimanjaro... mas, mais uma vez, é uma imagem com impacto. Se umas dezenas de pequenas empresas estiverem dispostas a fazer um grande esforço para manter as neves por mais 2 minutos que seja, talvez várias centenas de pessoas lhes quisessem seguir o exemplo e talvez estas falem a outras e assim, talvez, em teoria, se consiga perpetuar os glaciares para que o meu filho Manuel (que quando for grande quer fazer “xecalada comó Pai”), possa em 2030 subir o Kilimanjaro e ver os glaciares.

08/01/2008

2008

Entrámos no ano da concretização, segundo esperamos, da primeira iniciativa do projecto Ice Care.

Como se impõe, lá engoli uma passa, nas badaladas, à conta do Kilimanjaro – este ano fiquei-me por 7...não consegui pensar em mais desejos.

Estou confiante na concretização da subida, ainda este ano...mas o que é facto é que nada me garante que irei alguma vez realizar esta, ou as outras iniciativas Ice Care.

O projecto está numa fase crítica...neste momento Ice Care não é mais do que um blog na net....que pode nunca chegar a passar disso.

Todos os meus projectos passam por este limbo de imaterialidade.
Desde que a ideia nasce até que se solidifica em algo concreto, passa por vários degraus de concretização. Cada novo passo torna o projecto mais sólido e geralmente, é possível identificar, com alguma segurança o ponto de não retorno. Há um momento em que se sente que uma ideia ganhou vida própria e que, com as suas próprias pernas pode avançar independente do seu criador. Ice Care está longe dessa fase.

Por enquanto, há que deixar correr o devir natural de cada pequena etapa, para a solidificação da estrutura final.

03/12/2007

Outubro de 1996 – Regresso do Toubkal

“Sinto-me sujo como uma bolota, debaixo de um porco sentado”.
Foi com esta frase que o Zé Diogo interrompeu o silêncio.
Não era um silêncio imposto, nem sequer desconfortável. Era uma ausência contemplativa. Bebíamos um chá de hortelã, na explanada de um hotel qualquer em Casablanca. Este foi o único luxo a que nos demos, durante as 2 semanas de viagem. Tínhamos acabado de subir o Toubkal (4.165m) de bicicleta, com apenas duas mudas de roupa, e as mochilas carregadas com os bens mais básicos da sobrevivência humana. Nunca, durante estas 2 semanas, os nossos corpinhos viram banho. Nunca, durante estas 2 semanas, as nossas costas deitaram em algo que se assemelhasse, ainda que remotamente, a um colchão. Estávamos extenuados mas realizados. A sensação de imundice era bem próxima da descrita na comparação do Zé Diogo. Imagino quanto tempo terá estado a pensar, em silêncio, numa forma de a descrever com precisão.
Ao mesmo tempo, a sensação de realização pessoal preenchia-nos de tal maneira, que nos sentíamos imaculados.

Sem sabermos, tínhamos acabado de realizar, provavelmente, o melhor ensaio geral do projecto Ice Care.

21/11/2007

Roadmap do 1º projecto

A ideia é simples.
Em Setembro de 2008, eu e o Zé Diogo voamos para o Quénia, levando connosco as bicicletas, todo o equipamento de montanha e o equipamento necessário para instalação e monitorização do poste.
Da entrada do parque natural até à base do Kilimanjaro é obrigatório irmos em jipes próprios do parque, mas a partir daí sentamos no selim e aqui vai disto, montanha acima.
O poste será transportado por nós, desmontado, até ao glaciar Furtwangler. Aí faremos a perfuração necessária e instalação do poste.
Nesse momento a missão está concluída com êxito.
A escalada ao cume é uma opção.
A monitorização do poste deverá ser realizada regularmente (com uma periodicidade trimestral) e convenientemente divulgada. A forma de monitorização não está ainda definida e dependerá das autoridades do parque natural.

Este blog tem apenas um papel de acompanhamento cronológico do projecto.
Á medida que o Ice Care for ganhando corpo, irão sendo criados outros suportes informativos.

Naturalmente, o projecto Ice Care está dependente de um conjunto de “thumbs up”:
. obter a autorização do parque natural para perfurações nos glaciares;
. assegurar a cobertura mediática adequada;
. garantir os patrocínios necessários;
. estabelecer rotinas de monitorização do poste, com os guias do parque.

7 years

Feb 1993












Feb 2000












The top of the mountain has seen a retreat of the most recent covering of glaciers. In 2002, a study led by Ohio State University ice core paleoclimatologist Lonnie Thompson predicted that ice on top of Africa’s tallest peak would be gone between 2015 and 2020.

2015


Estava no meu quarto de hotel, no Savoy Boutique em Tallinn, tinha chegado à Estónia há 2 dias, em trabalho. Às 5 da tarde era noite e estavam 4º negativos lá fora. Tinha 2 horas até ao jantar e decidi agarrar-me ao projecto Ice Care (que na altura não tinha ainda nome).
Criei um ppt a que chamei Kilimanjaro e abri um ficheiro a que chamei Sports for a Cause.
Comecei a preparar toda a argumentação para os nossos apoiantes – fossem quem fossem.
Preparei tudo em inglês. Alimento uma remota esperança que a iniciativa possa atingir uma escala internacional. Gosto de trabalhar no mais frio realismo...mas ocasionalmente deixo-me deambular por sonhos de megalomania – acho que não tem mal nenhum.

Só nessa altura é que comecei a inteirar-me realmente daquilo que se passa no Kilimanjaro.

A primeira coisa que descobri foi a razão do apelido ‘eternas’ – o facto é que as neves do Kilimanjaro existem há mais de 12.000 anos.

Lonnie Thompson, professor de ciências geológicas na universidade de Ohio, tem realizado várias expedições ao cume, para avaliar a extensão do fenómeno.
Nas suas palavras, a expedição de 2002 foi como “...visiting a sick friend in failing health.”

Segundo as previsões resultantes da última expedição, os glaciares terão desaparecido integralmente entre 2015 e 2020, vítimas, pelo menos em parte, do aquecimento global.

Aparentemente a questão é mais complexa do que eu pensava à partida.
O professor Thompson coloca a questão: “What will happen to the water supply for these people when the glaciers disappear?”
Este não é um caso de extinção de uma espécie qualquer de animais, mas de um ecossistema vivo e das reservas de água de várias populações locais, que não terão outro remédio senão abandonar as suas casas, na altura em que o último glaciar desaparecer.

O mundo irá começar a assistir ao nascimento de um novo tipo de refugiados?
Entraremos na era dos eco-refugiados?

Os timings são alarmantes. Temos menos de 7 anos para inverter ou pelo menos atenuar esta catástrofe ecológica.
Isso passa pela alteração imediata, efectiva e permanente de comportamentos.
Tal como nas campanhas de prevenção do HIV, deveriam ser divulgados comportamentos de risco ecológico.

No final do trabalho enviei o primeiro draft do ppt ao Zé Diogo que gostou muito....eu nem tanto – acho que está ainda fraco.

Saí para jantar. Em Tallinn tudo é perto, mas mesmo a curta distância deu para enregelar os dedos das mãos, nariz e orelhas. Pensei na subida do Kilimanjaro, pensei no frio junto aos glaciares – contrai os músculos e adoptei a atitude, sempre falível, de que o frio é psicológico – senti-me melhor durante alguns segundos...

No jantar dessa noite, discuti com os meus colaboradores locais, a percepção que tinham sobre o fenómeno de aquecimento global.
Para mim estava um frio de rachar, mas para eles as alterações eram evidentes.
Mas mais uma vez eram sensações, não mais do que isso, que caiam no vazio entre a percepção empírica dos dias mais quentes e a vaguíssima referência de gráficos científicos.
Lembro-me de pensar que seria interessante se cada país pudesse identificar as suas próprias neves do Kilimanjaro, se a população de cada país pudesse observar os efeitos do aquecimento em ícones locais. Muito poucos podem, na realidade fazê-lo.
O objectivo do projecto Ice Care, é identificar 5 pontos do globo, onde o aquecimento global seja visível a olho nu, palpável e instalar barómetros simples. É urgente chamar a atenção da comunidade não-científica – isso só é possível utilizando instrumentos de medição não-científicos.

17/11/2007

Starting point



It’s October and I’m driving with my window opened and wearing a t-shirt. On the phone with my longtime friend José Diogo, I start considering the ascent of Kilimanjaro.
He’s reluctant. He did it once already and claims the snows are melting anyway, and his interest in doing it again, with considerably less snow...is far from enthusiastic.

What do you mean, the snows are melting down? I ask. Global warming you mean?

So, that’s what the fuss is all about – it’s really happening – global warming!

The severity of the situation was never so clear to me, as it was in that moment. It’s really serious stuff! Landscape in our planet is changing irreversibly!
It felt like I was ‘witnessing’ global warming for the first time. Al Gore’s graphs were impressive, but I forgot all about it the next day. But this striking impact of the snow cap of Kilimanjaro was really disturbing. Never a stronger image had flashed in my mind like this one.
Could it be that other people would feel the same way as I do about it? Was there a way we could show this to the world, to make it react?
I figured that, if we could get people to witness this catastrophe in real time, some of them could change the way they behave towards environment. Kilimanjaro snows are familiar to everyone – either from the Discovery Channel or from Hemingway’s novel – but the fact is, after 2015 it will disappear…irreversibly.

I called José Diogo again.

What about climbing the Kilimanjaro and placing some kind of non-scientific measurement system, a barometer of some kind, like a pole with marks or something? I asked him.

He liked it. He got the idea immediately.

What if we would cycle up the Kilimanjaro instead of climbing – that would be news worthy and, maybe, we could get to the people that way? I added.

I think it can be done, going through the least steep route, don’t think anyone has ever done it, though. He replied.

Well….that’s even better! I said.